Principais impostos e obrigações fiscais das empresas em Portugal
Quanto custa um colaborador a uma empresa?
Fatores que deve ter em consideração para apurar o custo de um trabalhador

Um negócio sustentável, por norma, começa com o mínimo de pessoas essenciais para que a atividade seja prestada. Mas à medida que a faturação aumenta, a maioria das empresas ponderam contratar mais colaboradores. Afinal, uma equipa especializada pode fazer toda a diferença no sucesso de um negócio. O problema é que numa fase inicial nem sempre é fácil perceber quanto custa um colaborador a uma empresa, e o impacto que essa contratação vai ter no negócio.

E por sabermos que esta é uma dúvida comum nas empresas que começaram a sua atividade recentemente, neste artigo vamos explicar-lhe que fatores deve ter em consideração para apurar o custo de um trabalhador.

Lembre-se que a contratação de colaboradores representa um peso significativo no seu orçamento empresarial, e por isso deve ponderar bem o salário que vai oferecer, de forma a conseguir suportá-lo a longo prazo.

Dito isto, vamos então ver que despesas a sua empresa terá que suportar por cada trabalhador.

Como definir o salário base mensal de um colaborador?

Definir o salário base mensal é provavelmente uma das tarefas mais complicadas que um empregador enfrenta na hora de contratar um colaborador. Afinal, a maioria dos trabalhadores ambicionam uma boa remuneração para vestirem a camisola de uma empresa. O que é normal. Mas o problema é que quando um empregador fica a par do nível de despesas e impostos envolvidos para a contratação de um colaborador, vê muitas vezes a possibilidade de lhe pagar um salário atrativo ir por água abaixo.

Por isso, para saber exatamente que remuneração pode oferecer a um trabalhador, deve ter alguns fatores em consideração. Por exemplo, para apurar o custo médio mensal com o salário, não deve ser feita uma multiplicação pelos 12 meses do ano. Isto porque um empregador não paga 12 meses de salário, mas sim 14 meses, pois vai ter que pagar o subsídio de férias e de natal.

Ou seja, em termos práticos, se está a pensar oferecer uma remuneração ilíquida a um colaborador de 1000 euros, vai ter que multiplicar esse valor por 14 meses e dividir esse montante por 12.

Cálculo exemplificativo: 1.000€ x 14 = 14.000€ / 12 = 1.166,6€

Isto quer dizer, que se pretende pagar um salário ilíquido de 1000 euros, o custo médio mensal com o salário do seu colaborador é de 1166,6 euros.

O peso da TSU nos custos de um colaborador

Embora a definição do salário base mensal possa ser uma dor de cabeça, a verdade é que o salário base apenas representa a ponta do iceberg quando falamos no custo de um colaborador. E isso porquê? Porque contratar colaboradores implica que sejam suportadas diversas despesas obrigatórias, sendo um dos exemplos mais conhecidos a Taxa Social Única (TSU). Se não está ainda familiarizado com esta taxa, a TSU é paga mensalmente à Segurança Social e embora corresponda a 34,75% do salário bruto de um colaborador, a empresa tem que suportar uma taxa de 23,75%. Os restantes 11% são retirados do salário do colaborador mensalmente, pois corresponde às suas contribuições.

Em termos práticos, se quiser apurar o valor que vai ter que pagar mensalmente de TSU por um colaborador com um salário bruto de 1000 euros, basta multiplicar esse valor por 23,75%.

Cálculo exemplificativo: 1.000€ x 23,75% = 237,50€

Nota importante: Não se esqueça que o Subsídio de Natal e o subsídio de férias também implicam o pagamento da TSU. Por isso, quando apurar o custo médio deve ter os 14 meses em consideração.

Por fim, temos que realçar que existe a possibilidade de, em algumas situações, o Estado conceder a isenção da TSU. Caso pretenda ver essa possibilidade deve informar-se sobre as condições especiais de contratação de colaboradores onde está previsto este benefício.

Não se esqueça de fazer contas ao subsídio de alimentação

Embora no setor privado este subsídio não seja obrigatório se não estiver contemplado no contrato de trabalho, a maioria das empresas optam por conceder aos seus trabalhadores uma remuneração adicional ao seu salário pelas refeições que são obrigados a fazer fora de casa. Esta remuneração, mais conhecida como subsídio de alimentação, não tem um valor fixo, e por norma, é estabelecida pela empresa ou por acordo com o trabalhador.

Contudo, muitas empresas acabam por seguir os valores de referência do subsídio de alimentação atribuído na Função Pública. Para ficar com uma noção, em 2020 o Estado Português pagou aos seus colaboradores 4,77 euros de subsídio de alimentação. Este valor serve de referência também para a isenção em termos de IRS. Ou seja, caso o pagamento em dinheiro seja superior a este valor, o seu trabalhador vai ter que pagar IRS na quantia que ultrapassar este limite.

No entanto, é importante que saiba que esta não é a única opção para o pagamento do subsídio de alimentação. Caso seja mais conveniente, a sua empresa pode pagar o subsídio de alimentação em cartão de refeição. Nesta situação específica, existe isenção de IRS para subsídios de alimentação pagos em cartão até 7,63 euros.

Dito isto, quando está a calcular os custos de um colaborador deve também somar a despesa que vai ter com o subsídio de alimentação. Em termos exemplificativos, se o subsídio de alimentação for de 4,77 euros e o seu colaborador tiver prestado 22 dias de trabalho, o custo com este subsídio nesse mês será de 104,94 euros.

Já se optar pelo pagamento em cartão e o valor for de 7,63 euros, se o seu colaborador tiver prestado 22 dias de trabalho, o custo será de 167,86 euros.

Independentemente do valor que definir pagar ao seu colaborador pelo subsídio de alimentação, é fundamental que tenha essa despesa em consideração na hora de simular os custos com os seus trabalhadores.

Custos que tendem a ficar esquecidos, mas que deve ter em atenção

Os custos com um colaborador não terminam por aqui. Lembre-se que a sua empresa tem que cumprir algumas obrigações legais, como disponibilizar Formação Profissional, Medicina do Trabalho, Higiene e Segurança, bem como garantir que o seu trabalhador está coberto por um seguro de acidentes de trabalho. Por fim, a sua empresa ainda terá que descontar para o Fundo de Compensação, embora possa vir a reaver a maioria desse valor mais tarde.

Embora o Fundo de compensação represente cerca de 1% do salário bruto do trabalhador, e o seguro de acidentes de trabalho, por norma, também ronde esse valor, as restantes despesas podem variar bastante. Por isso, é importante que se informe com antecedência sobre os custos que terá que suportar para garantir que todas as obrigações legais sejam cumpridas.

Depois de apurar todos os valores e definir a remuneração que irá oferecer, pode facilmente perceber quanto custa um colaborador para a sua empresa.

Caso necessite de ajuda para processar os salários dos seus colaboradores e apurar os impostos e taxas associadas, na Mário Moura Contabilidade contamos com mais de 20 anos de experiência a facilitar a vida dos nossos clientes para que eles possam simplesmente focar-se no sucesso dos seus negócios. Por isso, se precisar, não hesite em contactar-nos.

Teremos todo o gosto em ajudá-lo.

Até breve!
Mário Moura Contabilidade

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